quarta-feira, 30 de junho de 2010

FÉRIAS JÁ !

Preciso tirar férias de mim mesma,
30 dias corridos.
Quero ter outro nome, outro rosto,
Outra voz, outros olhos.
Não quero mais esse sorriso sem graça.
Vou pintar o cabelo, quem sabe cortar também.
Sair todas as noites, beijar várias bocas
Beber outras bebidas, me embriagar
Ouvir músicas que eu jamais ouviria
Dançar. Dançar tudo. Dançar muito.
Usar outras roupas... mais ousadas, ou recatadas,
Coloridas, ou não, apenas diferentes dessas que uso.
Novos amigos! Não que eu esteja reclamando dos meus,
É claro que não, mas eu quero mais, mais amigos.
Quero mudar de time, mudar de cidade, quem sabe de país.
Ler outros livros, esquecer da Álgebra Linear.
Acordar cedo todos os dias, não porque preciso, mas porque quero aproveitar o dia
E ir dormir tarde, para aproveitar bem a noite. E as vezes nem dormir.
Quero tirar férias de mim mesma.
Dizem que voltamos renovados depois de alguns dias de férias,
Mas se eu não voltar, DANE-SE!
Eu peço demissão, sem aviso prévio.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Só faltam 12!

Quase todos os dias eu a encontrava naquela biblioteca. Não era um encontro casual, confesso que eu sempre fui no mesmo horário por causa dela, mas nem sempre tinha a mesma sorte. De qualquer forma era sempre a mesma coisa, eu chegava por volta das 13 horas e depois de uma hora ela chegava, eu a observava. Ela sempre gostou dos lugares próximos à janela (por isso comecei a escolher estrategicamente onde eu ia ficar). Eu voltava a minha leitura, às vezes levantava a cabeça para olhar a moça, e depois retornava. Por volta das 18 horas ela ia embora, e eu ficava, mas perdia a graça, logo saia também.

Na última sexta-feira foi diferente. Não sei se foi ilusão minha, mas ela me olhou. Foi ai que analisei todos os detalhes enquanto ela estudava. Nunca foi tão bom observá-la, mas naquele dia ela estava especialmente linda. Seus olhos brilhavam como nunca, um olhar misterioso que eu precisava desvendar. Trazia um sorriso sereno no rosto, aliás, no belo rosto. Traços delicados, bochechas rosadas, bela. Cabelos longos, mas presos, aquilo era outra coisa que me chamava atenção. Sempre gostei de cabelos longos, mas ela sempre os prendia, e eu me prendia a imaginá-los soltos. Aquele silêncio era perfeito para contemplar sua beleza.

Preciso voltar à minha leitura, pensei. Mas eu lia algumas frases e me pegava parado olhando para o livro e pensando nela. Ora bolas!!! Mas ela está aqui ao lado. Porque diabos eu estou pensando nela? Me assustei, por um instante pensei ter falado aquilo, olhei com calma para os lados e todos estavam concentrados, que alívio, eu só pensei. No mesmo instante voltei o olhar para a moça, e para minha surpresa, ela estava com fones no ouvido. Nesse momento esqueci completamente o que eu estava fazendo e fiquei a imaginar o que ela estava ouvindo. Que músicas ela gosta, que lugares ela freqüenta e com quem, será que tem namorado? Onde será que ela mora, pode ser que seja aqui perto, ou talvez ela trabalhe aqui perto. Mil perguntas inundaram a minha cabeça. Já era tarde, ali eu não conseguia mais pensar em nada, eu queria saber tudo sobre aquela bela mulher, queria me aproximar de algum jeito.

Decidi que quando fosse a hora dela ir embora, eu iria junto. Olhei para o relógio, 17h49min. Nossa, o tempo passou que nem percebi. Resolvi levantar e ir ao banheiro, eu estava nervoso. Na volta vi a porta da sala se fechando e ela saindo. Olhei para seu lugar e confirmei, ela saiu. Sem pensar, fui até minha mesa, peguei os livros (que nem tinha lido naquele dia) e sai rápido.

No fim do corredor o elevador se fechando, e outra vez eu a vi por entre a porta, dessa vez do elevador. Desci as escadas correndo, para minha sorte eram apenas dois andares. Eu precisava alcançá-la, nem sabia ainda o que ia dizer, mas eu tinha que ir. Na saída paralisei, pasmo. Aquela luz de fim de tarde em contraste com a moça parecia uma pintura, uma obra de arte. Ela soltou os cabelos, parecia até ser de propósito, o vento os balançou levemente. E eu quase sem ar, com o olhar fixo. Ela caminhou até o carro e foi embora. Eu também fui. Passei o fim de semana com aquela imagem na mente, contando os minutos para a segunda-feira, às 14 horas.

Chegada segunda-feira, a ansiedade era grande. Almocei rápido e fui. Ao chegar me deparo com as portas fechadas e um aviso: Biblioteca fechada para reforma. Nem vi o que mais tinha escrito, quase caí. Fiquei indignado, fui até o segurança e perguntei como poderiam fazer aquilo. Ele me responde educadamente que o aviso está ali a mais de uma semana.

É claro. Eu não tinha percebido, afinal, só tinha olhos para ela. Voltei triste para casa. Agora, vou a uma biblioteca diferente a cada semana a fim de encontrá-la. Só faltam 12!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Inacabado

Falta um pedaço
É como se a história agora não fizesse sentido
Como se tivesse acabado sem chegar ao fim
Onde está o final feliz?

Falta um pedaço
Cadê o refrão?
A letra está incompleta
Só restou o solo do violão

Falta um pedaço
A tinta acabou? Ou a tela é pequena demais?
A pintura que antes era arte
Já não me encanta mais

Falta um pedaço
Para onde foram as rimas dos poemas
E o último verso do soneto
São quatorze não te lembras?

Faltam palavras para continuar
Falta coragem para aceitar
Que falta mesmo um pedaço
Mas um pedaço de mim.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lembranças, saudades...

Todo dia era a mesma história, eu chegava no ponto de ônibus por volta das 23:40 e papai estava lá. Tinha dias que nem a blusa ele vestia, não podia me deixar esperar então corria para me buscar. Mesmo cansados, ele por ter trabalhado o dia todo, e eu por causa do estágio e da faculdade, na maioria das vezes a gente inventava um motivo para brincar e sorrir. As vezes não, era o caminho todo calado, mudo. Na próxima esquina era aquele dilema, papai queria seguir por um caminho e eu por outro...

- Vamos por aqui, é melhor, não dá tantas voltas!
- Nãããão Pai!!! Vamos por aqui, a gente dá voltas, mas corta caminho e chega mais rápido.

Um dia por aqui, outro por ali...Até que tivemos a brilhante idéia de contar os passos.
No primeiro dia fomos pelo meu caminho, demoramos a chegar em casa, passo a passo, contando. Anotei.
No outro dia era a vez de saber qual era o melhor caminho, fomos então pelo dele. Dei passos bem pequenos...

- Assim não dá! Pode voltar. Que passos pequenos são esses? Você está roubando.
- Que isso Pai, estou caminhando do mesmo jeito. rsrs

Cheguei em casa toda feliz com a vitória. Ele sabia que eu tinha trapaceado, mesmo assim deixou.

Esse foi um episódio que me lembrei ontem, pois quando cheguei da faculdade papai não estava lá.
Por um caminho ou por outro, tanto faz, o importante é que nós estamos sempre juntos...
"Papai, agora eu estou indo pelo seu caminho, e eu sei que de onde está guiará meus passos.
Eu te amo. Saudades."

sábado, 12 de dezembro de 2009

Brasília





Mergulho nessa imensidão azul
Desse céu que me fascina
O cerrado das árvores tortas, grossas, rígidas
Da delicadeza do Ipê florido
E da beleza das flores.
A arquitetura séria
Que se contrasta com o divertido balançar das árvores

Agitada Brasília
Que se acalma nas águas do lago
É sol e chuva
Muito calor ou muito frio
A rodoviária lotada
E o motorista de BMW que se atrasa
É a grana e a miséria
A escola e as gangues de quadra
É o negro e o branco!

E eu?
Eu mergulho nessa imensidão azul
Desse céu que me fascina
Desse céu que é de Brasília
Dessa Brasília de contrastes.

Patricia Dias

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Canibal

Hoje, imaginação e inspiração para escrever tenho de sobra,
O que me falta é fôlego!

Então ai vai um trecho de Canibal - Zeca Baleiro

"só você me sacia
só você me dá fome
e essa fome consome
minha vida vazia
nessa farsa sem nome
comer me alivia"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Cinco!


Os sentidos me enganam
Eu sinto o cheiro, o tato,
Por um instante penso ter ouvido sua voz
E até a sua imagem me parece real
Então eu fecho os olhos
Isso é loucura!!!
Mas assim, de olhos fechados
Sonho com o beijo
E até sinto o gosto
É maravilhoso.

Os sentidos me enganam
Cinco...
E eu sozinha não tenho escolha
Rendo-me a eles
Então te vejo
Te escuto
Te sinto
Te cheiro
E te falo,


Eu te amo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

D'lírio

Ah, esses meus delírios
Que me fazem viajar, imaginar
Que faz possível
O impossível
Que faz perfeito
O imperfeito
Que me faz ouvir aquela voz doce
Sem que se abra a boca
Me traz arrepios
Que não são de frio
E faz eu sentir o perfume
Daquelas flores que não ganhei
Mas que mesmo assim são belas
A propósito, como você adivinhou que eu gosto
de Lírios?
 
Patricia Dias